“Eu vou tapar a boca dos meus adversários com este pacotão de obras e serviços que começa a ser colocado em prática daqui a seis meses. No início, tivemos uma dificuldade imensa, administrativa, pessoal e material humano para realizar os projetos e cumprir todas as promessas de campanha” (Foto: Dione Afonso)
EXCLUSIVO
Entrevista com prefeito Tadeu Leite
“A crítica sadia e construtiva tem que ser aceita. Homem público tem que estar aberto às críticas. Eu adoraria participar de um chat onde as pessoas, respeitosamente, se dirigissem a mim para saber das coisas e que eu pudesse responder sem qualquer tipo de agressão”
Tadeu Leite é o único prefeito a governar Montes Claros por três vezes. A primeira gestão foi nos anos 80 e a segunda, na primeira metade da década de 90. Agora, em pleno século XXI, sente a diferença no jeito de fazer política e, principalmente, na maneira como os protestos são orquestrados: via rede mundial de computadores.
A boca no trombone, que o projetou publicamente, deu lugar às redes sociais. E a juventude, estimulada pelas “velhas raposas da política”, sai às ruas dando início à caminhada eleitoral rumo a 2012.
Entre ataques gratuitos e críticas certeiras e construtivas, Tadeu Leite desafia os opositores e promete “calar a boca dos adversários”, lançando, segundo ele, o maior pacote de obras e serviços da história da cidade. O mundo real e virtual está de olho.
TEMPO – Qual a diferença que o senhor percebe entre os três mandatos?
Tadeu Leite – Cada um tem suas características. No primeiro, nós recebemos do prefeito Toninho Rabelo um pacote de projetos do Programa Cidade Porte Médio, que ele não conseguiu implantar por falta de tempo, mas que demos continuidade. No primeiro ano, já estávamos fazendo obras e continuamos por todo o mandato, que na época era de seis anos.
TEMPO – Podemos dizer, então, que foi um golpe de sorte?
Tadeu Leite – Em política sorte é fundamental. Um político muito bom, mas azarado não vai pra frente, não consegue nada. Eu soube aproveitar a sorte, multipliquei e otimizei os recursos de tal maneira que fizemos a melhor administração da história de Montes Claros.
TEMPO – E a segunda gestão?
Tadeu Leite – Foi marcada pelo embate político. Tivemos muita dificuldade, perdemos a maioria na Câmara, que acabou não aprovando o Projeto Soma, o que nos tirou verbas essenciais para a cidade. Naquele momento, o objetivo era derrotar Tadeu e não ajudar a cidade a crescer, questão política.
TEMPO – E agora?
Tadeu Leite – Eu encontro uma situação política, uma situação jurídica totalmente diferente do primeiro e segundo mandatos. Hoje existe uma grande interferência do Ministério Público dentro das administrações, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, porque existem muitos exageros e abusos.
TEMPO – Cite alguns exemplos.
Tadeu Leite – A meu juízo, não cabe ao promotor decidir qual vai ser o aumento do preço das tarifas. Cabe a ele apenas fiscalizar e ajuizar as ações que achar corretas. Recentemente, um promotor de Montes Claros foi à televisão dizer que era contra o aumento da passagem do ônibus alegando que havia erros. A atitude dele deu início à uma campanha pela internet chamada “Queime o busão”. Um perigo, uma ameaça...
TEMPO – Prefeito, mas o aumento estava dentro da legalidade?
Tadeu Leite – Nós estávamos com toda razão jurídica, porque todo ano tem aumento e há 24 meses não havia reajuste, então você tem que corrigir o período. Reequilibrar as contas é necessário, só assim é possível exigir das empresas o cumprimento das normas contratuais. Se o prefeito não reajusta, elas podem até parar o serviço.
TEMPO – Em 2008, durante a campanha eleitoral, o senhor dizia que a passagem de Montes Claros era a maior de Minas Gerais...
Tadeu Leite – Claro que eu criticava. Só que eu nunca defendi que os prefeitos não devessem aumentar as tarifas, mas reajustar dentro da realidade. Na época do ex-prefeito Athos Avelino, a passagem era a mais cara do estado. Hoje, é a quarta mais barata. Eu fiz questão de dar às empresas o justo e o necessário de aumento, nem um centavo a mais. Sempre obedecendo às planilhas técnicas e dentro da lei.
TEMPO – Como avalia a qualidade do transporte coletivo na cidade?
Tadeu Leite – Boa, mas sempre em busca de melhora. Em nenhum lugar o serviço é perfeito, nem mesmo em Curitiba, onde estive recentemente. Com a implantação do Sistema de Integração, fui alvo de muitas críticas. Na época, teve muitas manifestações, mas hoje muitos passageiros trafegam por dois trechos, mas só pagam uma passagem. Todos já acostumaram e estão aprovando.
TEMPO – Outro aumento que provocou muitos protestos foi o do IPTU...
Tadeu Leite – Com o IPTU houve apenas um reajuste de 4,65%, para acompanhar a inflação. O que está sendo alvo de polêmica é a taxa de lixo.
TEMPO – Por quê?
Tadeu Leite – Os nossos adversários preferem dizer que houve um aumento de 1000%. E eu pergunto: Mil por cento de que para quê? Isso é muito relativo, o que é 1000% de um real? Dez reais.
TEMPO – Prefeito, mas na prática, como ficou o reajuste da Taxa de Lixo?
Tadeu Leite – A Prefeitura gasta por ano R$ 11 milhões pelo serviço de limpeza da cidade, que inclui a varrição, coleta, transporte e o condicionamento final do lixo. Arrecadávamos com a taxa apenas R$ 1,5 milhão, o restante tínhamos de tirar de outros recursos do município. Com o aumento, iríamos passar a arrecadar R$ 4,5 milhões. Após o reajuste, 42% das famílias passariam a pagar R$ 45,00 por ano, menos de quatro reais por mês. O valor máximo cobrado na taxa de lixo é de R$ 240,00, nas casas mais ricas e em área nobre. O valor intermediário é de R$ 175,00 ao ano.
TEMPO – Mesmo sabendo que estes aumentos seriam criticados, o senhor optou por fazê-los. Não teme a rejeição popular?
Tadeu Leite – O município não pode ficar grudado somente em verbas federais e estaduais. Teve um prefeito de Minas que isentou o povo do pagamento de impostos, aí quando ele foi pedir verbas para o estado e União, recebeu a seguinte resposta: “Se você não tem condições de cobrar dos moradores do seu município, então não adianta vir atrás de recursos”. É claro que imaginei que as reclamações iriam acontecer, mas eu, como prefeito, tenho o dever de fazer isso. É minha obrigação buscar melhorias para a cidade, desde que eu não cometa injustiças e não faça absurdos. Mas o aumento de IPTU e da Taxa de Lixo sempre tem um componente político e de má vontade.
TEMPO – Com a pressão, a Prefeitura acabou reduzindo o valor...
Tadeu Leite – O IPTU já oferecia um desconto de 20% para o pagamento à vista, somente a Taxa de Lixo que teve uma redução de 35% para os pagamentos quitados até a data do vencimento.
TEMPO – Prefeito, como o senhor enxerga os protestos contra o senhor que pipocam ali e aqui? O chamado Movimento Fora Tadeu?
Tadeu Leite – Infelizmente, o que está acontecendo é a antecipação das eleições de 2012. Com isso, nos últimos meses, houve uma inversão de valores
TEMPO – Como o senhor avalia o avanço da internet e as redes sociais dentro do processo político?
Tadeu Leite – A internet é um paraíso para os covardes, através dela pessoas se escondem no anonimato para ofender, injuriar, difamar e caluniar. A internet, infelizmente, é um campo pantanoso. E muitos a usam para se projetar politicamente.
TEMPO – Prefeito, no passado o senhor colocava a boca no trombone usando o rádio, agora os tempos são outros, a ferramenta é a internet.
Tadeu Leite – Na minha época, a crítica feita pelo rádio era respeitosa, educada, era uma crítica chamada construtiva. Sobretudo, uma crítica que todo mundo sabia quem estava falando.
TEMPO – Então, o que o senhor questiona é o anonimato virtual?
Tadeu Leite – A crítica sadia e construtiva tem que ser aceita. Homem público tem que estar aberto às críticas. Eu adoraria participar de um chat onde as pessoas, respeitosamente, se dirigissem a mim para saber das coisas e que eu pudesse responder sem qualquer tipo de agressão. Mas o que existe é o xingatório e os ataques pessoais, que sempre são injustos, mentirosos. Machuca muito ver a família da gente sendo envolvida neste tipo de ação. A internet institucionalizou e deu crédito à fofoca, o que é grave e triste.
TEMPO – O senhor usa a internet?
Tadeu Leite – Até gostaria de ficar mais um pouco, mas não tenho tempo. Eu não estou conseguindo nem manter diariamente informações no meu Twitter. Eu criei um pra mim, mas existe um falso. O meu verdadeiro é luiztadeuleite. O tadeuleite é um fake, como os jovens costumam dizer. Eu respeito o uso correto e educado das redes sociais. Realmente, desta forma, podem prestar um bom serviço para a sociedade.
TEMPO – Prefeito, o senhor não acredita que as manifestações contra o senhor seja um processo que nasceu naturalmente?
Tadeu Leite – Quem está à frente dos protestos são alguns jovens mal-informados do que está acontecendo, mas por trás deles estão raposas velhas da política, maliciosas, mal-intencionadas, querendo, unicamente, desgastar o adversário, que neste caso sou eu.
TEMPO – Afirmando isso, posso concluir, então, que o senhor vai estar na disputa política de 2012, tentando se reeleger?
Tadeu Leite – Não estou preocupado com isso. Hoje, estou preocupado em realizar uma boa administração. Montes Claros merece e precisa de uma boa administração e de muitas boas administrações pela frente.
TEMPO – De que forma isso vai ser feito?
Tadeu Leite – Já está sendo feito, desde o primeiro ano estamos fazendo obras; no segundo ano, continuamos fazendo obras. Demos uma parada, e estamos retomando os trabalhos no segundo semestre. Então, nós vamos ter pela frente um ano e meio de obras e serviços que vão vitaminar. Tudo isso faz parte de um pacote que chamei de Pacote do Bem, o pacote do possível. Tudo que está previsto vai ser realizado.
TEMPO – O que, por exemplo?
Tadeu Leite – Vamos lá. O Viva a Vida, que é o hospital da mulher, já vai ser licitado agora. A urbanização e reconstrução da Conferência Cidade Cristo Rei, uma região de favelas que vai se transformar em um bairro moderno. Vamos investir R$ 25 milhões no asfaltamento das ruas da cidade. Ainda neste cronograma de ações está a construção do primeiro teatro de Montes Claros e de um centro de formação para professores.
TEMPO – Então, esse vai ser o pulo do gato do senhor?
Tadeu Leite – É um volume de obras que eu tenho certeza que vai mudar a imagem de Montes Claros. Eu vou tapar a boca dos meus adversários com este pacotão de obras e serviços que começa a ser colocado em prática daqui a seis meses. No início, tivemos uma dificuldade imensa, administrativa, pessoal e material humano para realizar os projetos e cumprir todas as promessas de campanha. Se tivéssemos herdado uma Prefeitura com as contas em dia, já estaríamos em obras há muito mais tempo.
TEMPO – Agora, da onde vai sair tanto dinheiro?
Tadeu Leite – Recursos próprios e dos governos estadual e federal. Os projetos já estão em fase final, só dependendo de licitação. Mas essas pequenas pendências já estão sendo resolvidas. Política é igual corrida de cavalo, nem sempre quem sai na frente chega em primeiro lugar.
TEMPO – O senhor pode até dizer que não está pensando em reeleição, mas esta declaração me faz crer que o senhor é, sim, candidato, em 2012.
Tadeu Leite – Eu quero fazer uma excelente administração para uma realização pessoal e pela satisfação de dever cumprido. Eu posso estar muito bem avaliado no ano que vem e decidir não me candidatar, em nome da minha saúde.
TEMPO – Está doente?
Tadeu Leite – Tenho problemas de hipertensão, de gota e tenho diverticulite.
TEMPO – O senhor tem, ou já teve, câncer?
Tadeu Leite – Falaram que eu estava com câncer na garganta, não sei da onde surgiu isso. Como eu já disse, tenho pressão alta, que eu controlo, gota, que também controlo, e diverticulose. Essas são minhas enfermidades, todas elas resultantes da vida sedentária e do estresse que a política causa.
TEMPO – Já que estamos falando de boatos. Quero saber se é fato ou mentira a informação de que o senhor poderá fazer uma dobradinha com Jairo Ataíde nas próximas eleições?
Tadeu Leite – Ele era meu adversário no passado, mas hoje somos parceiros e estamos nos dando muito bem. Temos caminhado juntos e espero que prossigamos assim. Agora, uma dobradinha entre nós seria impossível. Ele não seria meu vice e eu também não seria vice dele. O que pode acontecer é eu vir a apoiá-lo ou ele me apoiar, como aconteceu no segundo turno.
TEMPO – A proximidade da administração com o grupo jairista não provoca um certo desgaste com o PTB. Afinal, é pública a informação de que o deputado estadual Arlen Santiago e o deputado federal Jairo Ataíde são inimigos.
Tadeu Leite – Eu tenho conversado com o deputado Arlen, um deputado que é de Montes Claros, nasceu aqui e mora aqui, para que ele ajude a cidade.
TEMPO – O PTB chegou a pedir secretarias e outros cargos dentro da administração?
Tadeu Leite – Não, nunca houve nenhuma negociação em termos partidários.
TEMPO – E com o PT, como anda a relação?
Tadeu Leite – Muito boa com a maioria do partido, com a executiva e com o deputado estadual Paulo Guedes. No entanto, uma certa ala não gosta de mim e não me aceita como prefeito. Inclusive, faz parte do movimento contra mim.
TEMPO – O Partido dos Trabalhadores ocupa cargos dentro da Prefeitura?
Tadeu Leite – O PT devolveu o cargo do presidente da Esurb, que estava nas mãos do Marcos Maia, mas nós não demitimos outras pessoas, que são peças importantes para tocar a administração.
TEMPO – E o PC do B acabou de ganhar uma secretaria...
Tadeu Leite – O PC do B é nosso parceiro desde o primeiro turno das eleições passadas. Tínhamos o Lipa Xavier como secretário-adjunto de Cultura, mas ele teve que sair por razões profissionais dele. Alguns meses, ficamos sem essa composição, até a chegada do jovem Daniel Dias como secretário-adjunto de Desenvolvimento Social.
TEMPO – Prefeito, a parceria com o PC do B não seria uma forma de controlar as manifestações dos estudantes que cobram o meio-passe?
Tadeu Leite – Controlar não, mas chamar para participar do processo. O PC do B, na pessoa do ex-vereador Lipa Xavier, foi quem protagonizou a proposta do meio-passe. Então, o partido vai me ajudar a formar uma comissão para nos orientar e estudar o que é possível implantar
TEMPO – Quando o meio-passe vai virar realidade?
Tadeu Leite – Eu quero implantar neste ano, não no ano que vem, para não dizer que foi no último ano das eleições. Assim como aconteceu com ex-prefeito Athos Avelino, que tratou do assunto como caso de polícia e depois aprovou, no último mês do seu mandato, uma lei estapafúrdia, totalmente fora da realidade. Ele só queria fazer média com a população estudantil. Bem provável que implantemos o meio-passe com as regras do que acontece
TEMPO – E como está a relação com o grupo do deputado, e hoje secretário de estado, Gil Pereira?
Tadeu Leite – Desde que a vice-prefeita Cristina Pereira abandonou a Prefeitura, nunca mais nos falamos. Nem com o secretário Gil Pereira.
TEMPO – Como foi este rompimento?
Tadeu Leite – Ele rompeu de caso pensado, planejado e arquitetado, com a participação da senhora nossa querida vice-prefeita Cristina Pereira. Ela foi à Prefeitura em um dia sabendo que eu estava viajando, uma semana após as eleições. Cristina chegou, com a imprensa, na sala dela e sem as chaves. Neste momento, disse que nós estávamos impedindo que ela entrasse. Quem abria e fechava a sala dela era ela. Quando fiquei sabendo, marquei uma reunião para conversarmos. No dia seguinte, o deputado Gil Pereira já estava com o discurso todo escrito na tribuna da Assembleia, rompendo, publicamente, comigo. Não houve uma conversa antes nem depois.
TEMPO – Por que houve esta ruptura?
Tadeu Leite – Certo é que ele foi o único deputado que falou comigo que era contra a candidatura de Tadeuzinho Leite a deputado estadual. Todos os outros deputados apoiaram, acharam normal. Ele talvez queria ter todos os votos da administração. Mas ressalto: não houve rompimento da minha parte, estou até hoje esperando que um dia a vice-prefeita chegue até mim para conversarmos.
TEMPO – A vice-prefeita continua recebendo?
Tadeu Leite – Desde que ela saiu, nunca mais voltou para assinar os empenhos prévios que dão a ela o direito de receber a remuneração.
TEMPO – A briga política com o secretário de Estado Gil Pereira não prejudica a Prefeitura junto ao governo de Minas? Não atrapalha a chegada de recursos?
Tadeu Leite – Ele não manda no governo. Nós temos outros quatro deputados ajudando Montes Claros. Eu não creio que o governador Anastasia aceite patrulhamento de um deputado-secretário que está agindo por aptidões políticas. Isso seria improbidade.
TEMPO – Prefeito, como está o relacionamento do senhor com o empresário Wilson Cunha?
É um amigo, mas que, evidentemente, não posso atender a um interesse ou a outro. Isso pode causar um descontentamento momentâneo, mas a nossa amizade é maior.
TEMPO – No segundo mandato, no início dos anos 90, o senhor teve sérios problemas com a oposição da Câmara. O que atrapalhou a administração. E desta vez, os vereadores o apoiam?
Tadeu Leite – Sim, apenas o Claudim e o Altemar que não.
TEMPO – Por quê?
Tadeu Leite – O Claudim é do partido do ex-prefeito, já o vereador Altemar tem um comportamento muito estranho, muito fora da normalidade, ele é muito fora de esquadro, fora da medida, não sabe o que faz e o que fala, não tem noção do que é ser vereador. O Altemar caiu de paraquedas na Câmara, por isso só fala bobagens. Ele não pode ser levado a sério.
TEMPO – Prefeito, já caminhando para o fim da entrevista, como o senhor avalia o início do mandato de Tadeuzinho Leite como deputado? Ele tem conseguindo ajudar Montes Claros, mesmo estando na oposição ao governador?
Tadeu Leite – Ele não está fazendo oposição igual aos outros da bancada. Eu o aconselhei que não compensa radicalizar o processo político, não está na hora nem é o momento. O governador Anastasia não merece que se faça contra ele uma oposição radical, porque é um governador inteligente e capaz.
TEMPO – O Tadeuzinho liga para o senhor pedindo conselhos?
Tadeu Leite – Às vezes pede opinião. Quando acho que devo dar, eu dou.
TEMPO – Qual o sentimento de um pai ao ver um filho seguindo o mesmo caminho?
Tadeu Leite – Eu tive um dos momentos mais emocionantes da minha vida, quando com Stela e meu filho André, na Assembleia, assisti a Tadeuzinho tomando posse. Deus já me deu tantas vitórias políticas. Todos os cargos que quis conquistar pelo voto, Deus e o povo me concederam. Eu sou três vezes prefeito na história de Montes Claros e agora sou o único prefeito que consegue eleger um filho a deputado. É muita honra e alegria.
TEMPO – E a primeira-dama, Stela Leite, já se conformou em ter um filho deputado? (risos)
Tadeu Leite – Stela foi a que mais se opôs à candidatura de Tadeuzinho, mas a razão é amor, medo do que possa acontecer com ele no futuro o que acontece comigo no presente. Quando o marido sofre injustiças, ela sofre como esposa. Como mãe, vai sofrer muito mais. Ela sabe que em algum momento nosso filho vai ter que passar por críticas, agressões, por isso fica muito apreensiva. Só que Stela já está conformada em ter um marido prefeito e um filho deputado.
TEMPO – É uma sina?
Tadeu Leite – Uma sina boa. Eu, em breve, encerro minha vida na política. Se eu for candidato à reeleição e eleito, será meu último mandato. Eu encerraria com 64 anos, está de bom tamanho para quem começou aos 23 anos. Caso não seja eleito ou não for candidato, termino minha carreira política com 60 anos.
TEMPO – E vai fazer o quê?
Tadeu Leite – Voltar a atuar na área do direito e mergulhar no mundo da literatura, que eu gosto muito. E, principalmente, me dedicar ao que mais amo na vida, minha família.
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