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Tempo 36 - ago/2008

CONHECIMENTO

De volta aos estudos

Desafios e novas situações da vida resultam no retorno de alunos para salas de aula e atividades diversificadas

Da Redação


A sensação de frio na barriga causada pela ansiedade que acomete a maioria dos jovens estudantes no primeiro dia de aula, não se restringe apenas ao início da vida escolar. Adultos, que há anos não freqüentavam as salas de aula, enfrentam além do desafio de voltar aos estudos, a lidar com as antigas e saudosas manifestações corporais.
E parece que a tendência será o aumento gradativo destes alunos que se ausentaram por duas ou três décadas – independentemente das questões pessoais que levaram a isso –. Fatos como o aumento na expectativa de vida e o acesso facilitado aos cursos de nível superior contribuem para que a melhor idade seja ideal para as novas experiências.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro subiu para 72,3 anos em 2006. A melhoria no acesso da população aos serviços de saúde, as campanhas de vacinação, o aumento da escolaridade, a prevenção de doenças e os avanços da medicina contribuíram para esse aumento. O levantamento aponta que a esperança de vida ao nascer dos homens é de 68,5 anos, contra 76,1 anos das mulheres.
Zulene Angelina Pereira Fonseca ainda não alcançou essa estatística, está com 47 anos. Porém, representa uma grande parcela da população que retorna aos estudos após a experiência do casamento e já com os filhos criados. “Casei quando era adolescente e meu marido nunca aceitou que eu trabalhasse ou estudasse. Com o tempo fui sentindo um vazio em minha vida. Até a depressão chegar e eu tomar uma atitude em benefício de minha saúde”, conta.

PLANOS PARA O FUTURO – Inicialmente Zulene procurou emprego e mesmo sem experiência, conseguiu uma vaga para serviços gerais. “A partir do emprego me despertei para a importância do conhecimento. Na hierarquia de uma empresa, esse cargo é o último. Com uma faculdade, terei a chance de subir novos degraus e melhorar meu desempenho”, analisa.
Cursando o quinto período de Pedagogia, ela é considerada um exemplo em casa, pois os filhos terminaram o ensino médio e se casaram sem dar continuidade aos estudos. “Eu sou a única que topou esse desafio. Mesmo com as atividades do trabalho e da casa, reservo tempo para os estudos”, disse.
O início não foi fácil. Zulene tinha que reler todas as matéria em casa. “Era tachada de ‘cdf’ pelos colegas mais jovens. Não tinha coragem de levantar a voz para tirar dúvidas. Mas aí pensei: se cheguei até aqui, tenho que enfrentar meus medos. Hoje, esses colegas pedem ‘cola’ e fazem questão de participar de meu grupo de estudos”.
Ela faz planos para o futuro e sonha alçar vôos mais altos. A formatura de Zulene está marcada para julho de 2009. “Assim que terminar a graduação vou iniciar um curso de especialização em pedagogia empresarial”, conta.

 

Idade da prata inspira projeto


Em Montes Claros no ano de 1980, o público na faixa etária de até 70 anos que representava 3%, pulou para 8% em 1991. Os dados revelam o aumento constante do número de idosos na cidade, o que demanda atividades e projetos voltados para esta faixa etária.
Fabíola Martins Monção coordena o Projeto Idade da Prata, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), que tem por objetivo oferecer aos idosos, atividades de extensão capazes de contribuir para a manutenção da autonomia e independência na terceira idade. “Daí ser de suma importância um conjunto de ações diversificadas, tendo em vista a heterogeneidade do segmento idoso”, explica.
Ela explica que entre as instituições públicas, a universidade aparece como um espaço inovador para responder as múltiplas demandas do idoso, tendo em vista o amplo espectro oferecido pelos programas de extensão em sua articulação com a comunidade. “Propiciar um processo de aprendizagem na perspectiva da educação continuada é contribuir para a confiança, auto-estima e auto-eficácia da pessoa idosa”, diz.

CRIATIVIDADE E DA EXPERIÊNCIA – Fabíola destaca dentro destas perspectivas, as Universidades Abertas à Terceira Idade (UNATIS) sob o viés da Educação Continuada, prevê uma educação integral, total, capaz de abranger a existência e as possibilidades do ser humano por toda a vida. “A Universidade da Terceira Idade da Unimontes - Idade da Prata - está inserida neste contexto e considera as fases da criatividade e da experiência acumulada pelos idosos da cidade de Montes Claros”, revela.
Idosos que estavam fadados a pagar um preço muito alto pela falsa idéia de que não há produtividade na velhice, encontram formas de conciliar e se adaptar a novas situações da vida, ao invés de alguns que ainda insistem em ficar em casa captando problemas.
Com a modernidade, a melhor idade pôde agregar aos estudos outros benefícios. Dona Laurença Figueira, por exemplo, está de bem com os seus 71 anos. Ela pratica hidroginástica, caminhada, canta em seresta, faz parte de grupo de oração e ainda sobra tempo para participar do Projeto Idade da Prata, quatro vezes por semana.
“Tenho seis filhos, e todos me incentivam a participar das atividades. Moro sozinha, mas vivo rodeada de amigos e pessoas de todas as idades. Aprendi a tocar flauta aos 65 anos e violão aos 60. Acredito que nunca é tarde para aprender. Enquanto tiver vida seguirei em frente. Cada dia deve ser melhor que o outro”, enfatiza. (N.A.)


Integrando o conhecimento


O Programa Idade da Prata oferece oficinas gratuitas de Artes, Serviço Social, História, Letras, Educação Física, entre outros, com o objetivo de propiciar uma maior integração entre as várias áreas do conhecimento. Também são oferecidos: curso de Espanhol, oficina de teatro, seresta, oficina da memória e psicomotricidade e Artes Plásticas.
Em levantamentos realizados por Fabíola Martins, dados mostram que entre as pessoas que dominam a escrita, as que passaram por vários anos de escolarização, em contraponto às que ficaram excluídas do processo, conclui-se que “quem somou mais tempo de escolaridade, tem mais facilidade em realizar operações mentais a partir de proposições abstratas ou hipotéticas”.
Para os idosos, a aprendizagem dessa escrita configura como algo de fundamental importância, uma vez que eles serão capazes de decifrar o mundo que o rodeia, sem ficar eternamente esperando que outros façam isso por ele. Ademais, estudos têm comprovado que quanto maior a escolaridade de uma pessoa, maior a expectativa de vida e menor a possibilidade de desenvolver doenças cognitivas.
 

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