EDITORIAL
É preciso ser, e não estar jornalista
Ser jornalista é uma profissão de risco. É caminhar no limiar entre o certo e o errado a cada instante.
Ser jornalista é uma profissão de risco. É caminhar no limiar entre o certo e o errado a cada instante. É impossível estar jornalista. Ou é ou não é. A vida por si só é um risco. A do jornalista é um pouco mais, é o tempo todo. A intensidade da profissão causa ansiedade, desejo de desempenhar o papel relegado a outros. E se isso ocorrer, o risco de errar aumenta. Mas com a consciência de que se erra como jornalista, buscando a verdade dos fatos. Investigando o que não quer ser visto. E se acontecer, aprender com os erros.
Ser jornalista é diferente de estar. Não são os jornalistas que criam notícias, eles apenas correm atrás dos fatos que acontecem e que estão presentes no cotidiano da população. Ser jornalista é estar ao lado do cidadão, não deixar se censurar por esta ou aquela razão e desistir de apurar os fatos. Estar jornalista é se resguardar de qualquer indício desta ou daquela matéria e evitar apurar tanto uma denúncia quanto um fato.
Ser jornalista é estar convicto de suas ideias por uma sociedade melhor, livre de injustiças, a favor da seguridade do que lhe é devido, da Constituição Federal, da Declaração dos Direitos Humanos, a favor do povo. Contra qualquer tipo de dolo. Estar jornalista é proteger a impunidade. É se esquivar da informação que recebe e não tentar ao menos, de alguma forma, dar o primeiro alerta, chamar a atenção.
Ser jornalista é saber lidar com o poder da escrita, da imagem, da edição. Estar jornalista é um atentado ao pudor da opinião pública. A vida de qualquer profissional é um amontoado de altos e baixos. Dos mais experientes, mais sábios, aos recém-formados, todos estão suscetíveis ao engano. Ser jornalista é aprender a lidar com erros e enganos. É garantir o direito de fala aos dois lados envolvidos. É assegurar garantias de defesa. É não fraudar, mentir ou impedir.
Trazer o debate para dentro das casas, incentivar a atenção das famílias aos riscos que a informática oferece ao se colocar o mundo em sua sala, provocar mudanças. Isso é ser jornalista. É saber que de um momento para o outro vai estar correndo o risco da ingratidão de pessoas, de bandeiras que um dia defendeu e, até mesmo, do que se acreditou em passado recente. Estar jornalista não vale. Não deve. Não existe meia pauta a ser cumprida.
Ser jornalista é poder e exigir gozar de sua liberdade de expressão. Estar jornalista é viver com medo. Ser jornalista é estar armado com palavras, argumentos e com a sua plena defesa de direito, alinhada ao saber escutar. Estar jornalista é se apoiar em falso pudor, fingir que tudo é permitido.
O jornalista não pode ficar acima da lei, aliás, nenhum poder pode pela Constituição Federal. Mas a lei também deve se prontificar a servir, a escutar e evitar ser severa quando se existe um objetivo prático e evidente.
Exercer bem a profissão é ser jornalista.
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