Terça-Feira, 21 de Mai 2013

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Tempo 82 - fev/2013
Inaugurado no fim dos anos 80, o Projeto Jaíba levou as águas do Rio São Francisco, através de canais, para terras áridas de sete municípios: Jaíba, Janaúba, Nova Porteirinha, Porteirinha, Verdelândia, Matias Cardoso e Itacarambi. Dos quatro perímetros de irrigação previstos, apenas dois estão em funcionamento, beneficiando 2,5 mil produtores rurais. (Foto: Solon Queiroz)

Inaugurado no fim dos anos 80, o Projeto Jaíba levou as águas do Rio São Francisco, através de canais, para terras áridas de sete municípios: Jaíba, Janaúba, Nova Porteirinha, Porteirinha, Verdelândia, Matias Cardoso e Itacarambi. Dos quatro perímetros de irrigação previstos, apenas dois estão em funcionamento, beneficiando 2,5 mil produtores rurais. (Foto: Solon Queiroz)

ECONOMIA

O doce sabor do desenvolvimento

Produtores rurais do Norte de Minas comemoram a criação de um certificado de que atesta a qualidade das frutas produzidas em sete municípios beneficiados com o Projeto Jaíba. A expectativa é que com o selo os lucros aumentem ainda mais

Gustavo de Castro
Fredi Mendes


Há pouco mais de três décadas, a região de Jaíba, no extremo Norte de Minas, era marcada por uma paisagem de terras muito secas e uma miséria ainda maior. O solo fértil só mostrava a sua força em tempos de chuva. Hora do sertanejo plantar o de comer: um punhado de feijão, milho e mandioca. Agricultura de subsistência, nada mais. No entanto, no fim dos anos 80, a esperança e o verde brotaram em um dos cantos mais pobres de Minas Gerais. Tinha início o famoso Projeto Jaíba.

A maior área irrigada da América Latina tem 25 mil hectares plantados e 2,5 mil produtores espalhados por sete municípios da região: Jaíba, Janaúba, Matias Cardoso, Nova Porteirinha, Porteirinha, Verdelândia e Itacarambi. Os agricultores souberam tirar proveito da canalização das abençoadas águas do Rio São Francisco. Um trabalho de engenharia que consumiu tempo e pelo menos 500 milhões de dólares. Recursos dos governos federal, estadual e da iniciativa privada.

O alto investimento e a demora para que o Projeto rendesse frutos sempre geraram muitas críticas daqueles que achavam que a construção dos canais não passava de uma obra megalomaníaca. Uma fonte de desvios de verba e corrupção. Das quatro etapas previstas, apenas duas foram concluídas. Até 1999, o que era produzido estava muito aquém da meta estabelecida inicialmente, que era de 2 milhões de toneladas de frutas e grãos por ano, com faturamento chegando a quase R$ 1 bilhão.

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba ( Codevasf) e Ruralminas são as responsáveis pelo empreendimento.

"Acompanhei as dificuldades na implantação dos dois perímetros de irrigação, tanto como prefeito de Janaúba, nos anos 80, quanto deputado estadual, nos anos 90. Eu posso dizer que foram muitas as dificuldades enfrentadas e vencidas, tanto pela Codevasf quanto pelos irrigantes assentados”, alegou o atual superintendente da Codevasf, Dimas Rodrigues.

Críticas e acusações à parte, o polo de fruticultura do Jaíba conseguiu levar desenvolvimento ao campo. Os números ainda estão bem abaixo do que era previsto, mas deu um salto no século XXI.  Em 2011, o valor da produção atingiu R$ 194 milhões. Os cálculos de 2012 não foram concluídos, mas estima-se que seja 10% maior. Para 2025, o otimismo dos especialistas está nas alturas. A meta é alcançar R$ 350 milhões na produção. O plantio de limão, banana e manga ocupa grande parte da área irrigada, quase 45%. “O Brasil inteiro já conhece Jaíba pela qualidade dos frutos que produz. Com o mercado interno já consolidado, estamos criando a possibilidade de trabalhar o consumidor internacional, que adora as frutas tropicais”, informou o presidente da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), José Luiz Raymundo de Souza.

O presidente da Abanorte está mais do que certo! Tanto é que no ano passado, somente o município de Jaíba mandou 1,3 mil toneladas de frutas para fora do Brasil, totalizando quase um milhão de dólares em receita. Segundo José Luiz, os produtores da região já exportam manga e limão de forma contínua. Ele garante que o mercado consumidor externo não para de crescer: “Temos muito mais demanda do que produtos para exportar. A África do Sul, por exemplo, tentou manter negócios com a gente, mas os produtores não tinham frutos para entregar”. Com isso, o município norte-mineiro se consolida como o maior exportador de frutas de Minas Gerais.

Confira a reportagem completa na Revista TEMPO. Já nas bancas.

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